FutebolFlash FutebolFlash
Opinião: Palmeiras não perde, mas o empate expõe um time cada vez mais sem respostas

Opinião: Palmeiras não perde, mas o empate expõe um time cada vez mais sem respostas

07/09/2026 00:43

O empate expôs uma equipe que domina espaços, mas não os transforma. A posse existe, o volume aparece, mas a assertividade continua distante O Palmeiras não perdeu para o Botafogo. Mas o 0 a 0 no Nilton Santos deixou uma...

O empate expôs uma equipe que domina espaços, mas não os transforma. A posse existe, o volume aparece, mas a assertividade continua distante

O Palmeiras não perdeu para o Botafogo. Mas o 0 a 0 no Nilton Santos deixou uma sensação que pode ser ainda mais preocupante do que uma derrota: a de que o time está ficando sem respostas. Na partida em que praticamente perdeu a liderança do Brasileirão, o Verdão teve mais posse, finalizou mais e controlou boa parte do jogo, mas novamente encontrou enorme dificuldade para transformar esse domínio em vantagem. O problema já não parece pontual. O Palmeiras está em pane.

A estatística ajuda a explicar a contradição. O Verdão terminou a partida com 66% de posse de bola e 16 finalizações, contra 12 do Botafogo. Ainda assim, saiu do Rio de Janeiro sem marcar. Ter a bola, portanto, deixou de ser sinônimo de controlar o jogo. A situação mostra que a ‘equipa’ consegue ocupar o campo adversário, mas muitas vezes parece fazê-lo sem a agressividade necessária para desorganizar quem está do outro lado.

É justamente aí que a escolha de Abel Ferreira merece ser discutida. Jhon Arias e Vitor Roque começaram no banco, enquanto Lucas Evangelista acabou assumindo uma função ofensiva que exigia características diferentes das suas. Não se trata de dizer que Arias resolveria sozinho todos os problemas. A questão é que, ao abrir mão de uma de suas principais referências técnicas, Abel precisava apresentar uma alternativa capaz de oferecer dinâmica semelhante. Ela não apareceu.

Lucas Evangelista acabou sendo um símbolo dessa aposta. O jogador pode oferecer intensidade, circulação e capacidade de ocupar espaços, mas não possui o mesmo cacoete de um atacante. Quando uma estratégia depende de movimentos específicos no último terço, as características individuais precisam conversar com a ideia. Caso contrário, o desenho pode até parecer sofisticado na prancheta, mas perde sentido quando a bola começa a rolar.

Arias era uma esperança e Vitor Roque ainda em débito

A entrada de Arias no segundo tempo reforçou essa impressão. O colombiano passou a oferecer uma presença diferente pelo lado do campo e aumentou a possibilidade de o Palmeiras acelerar algumas jogadas. Isso não significa que sua titularidade teria garantido a vitória, mas evidencia que o time abriu mão, desde o início, de uma ferramenta que poderia ter ajudado a mudar o ritmo da partida.

Vitor Roque, por sua vez, representa um problema de outra natureza. Mais uma vez, o atacante recebeu uma oportunidade, entrou no segundo tempo e não conseguiu produzir uma resposta capaz de mudar o panorama. Por isso, seria confortável demais transformar a ausência de Arias na explicação para tudo. O Palestra tem opções, mas algumas delas simplesmente não estão entregando o que se esperava quando foram contratadas ou escolhidas.

Até a defesa, principal porto seguro desta equipe, apresentou sinais de uma noite ruim. Piquerez teve uma atuação irreconhecível, com erros incomuns no domínio e na distribuição. Gustavo Gómez, como tantas outras vezes, continuou sendo uma referência de segurança. Mas existe um limite para o que o zagueiro pode fazer. Não é possível exigir que a defesa resolva, jogo após jogo, aquilo que o restante da equipe não consegue resolver na frente.

Não dá para depender apenas em um sistema defensivo sólido

É aí que aparece o maior alerta para a disputa pelo título. Um candidato ao campeonato pode vencer partidas pela organização, administrar momentos ruins e arrancar resultados fora de casa. O que não pode é depender permanentemente da capacidade de não sofrer gols para compensar a dificuldade de transformar suas virtudes em vitórias. Em uma corrida tão longa, sobreviver não basta.

Abel Ferreira chegou a um ponto em que suas escolhas precisam ser avaliadas menos pela originalidade e mais pela resposta que produzem. Contra o Botafogo, o Palmeiras teve a bola, teve volume e teve alternativas no banco, mas não encontrou uma combinação capaz de mudar o roteiro. Arias e Vitor Roque entraram, outras peças foram movimentadas, e o resultado permaneceu o mesmo. Quando diferentes caminhos levam repetidamente ao mesmo lugar, talvez seja hora de questionar o próprio caminho.

Verdão precisa se reencontrar

Por isso, o 0 a 0 precisa ser tratado como alerta, não como um simples ponto conquistado fora de casa. O Palmeiras continua forte, tem uma defesa de alto nível e possui jogadores capazes de decidir partidas. Mas, para sonhar com o título, precisará apresentar mais do que resistência e organização. Hoje, a impressão é de uma equipe que ainda sabe muito bem como evitar a derrota, mas já não demonstra a mesma convicção sobre como construir a vitória. E esse talvez seja o sinal mais preocupante de todos.